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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Tecnologia e as relações sociais

Esta aqui um bom tema para ser tratado com nossos adolescentes. 


Em um tempo onde compartilhar é preciso como será que ficam as relações pessoais, sociais e tantas outras relações? 
É o que veremos na reportagem publicada no dia 06 de fevereiro pelo Folhateen.





Por Rodrigo Levino




Que a internet mudou as relações sociais é algo que não se discute. A privacidade se tornou negociável e compartilhar virou regra. Mesmo senhas pessoais.

Não são poucos os casais para os quais e-mails, MSN, Orkut, Facebook e Twitter é um território de acesso livre para ambos.

Ângela (todos os nomes são fictícios), 17, e João, 19, de São Paulo, compartilham senhas desde o começo do namoro, em agosto de 2010.

Assim como Cristine, 17, e Ronaldo, 20, de Mogi das Cruzes (SP), juntos desde novembro de 2009. Os dois se conheceram através de uma comunidade do Orkut.


O compartilhamento de senhas pessoais é um sintoma dos novos parâmetros que a internet trouxe para namoros e amizades.

Para Ângela, ceder o acesso a algo privado é uma prova de fidelidade. "Se eu não devo nada, não tenho o que temer", diz.

Ronaldo alega que o acesso de Cristine ao seu e-mail ajuda no trabalho. "Uso pouco o e-mail, então ela me avisa de coisas urgentes e limpa a minha caixa".

Mas, como tudo na vida, liberdade também tem um preço. Dos cinco casais ouvidos pelo "Folhateen", todos relataram brigas motivadas por "e-mails indevidos".

Um colega que chama por algum apelido carinhoso, uma ex-namorada saudosa que tenta se reaproximar ou um amigo convidando para um programa justo no dia que o casal havia marcado de se ver: tudo pode se tornar motivo para desentendimentos.

No caso de Rafael Costa, 22, estudante de jornalismo de Brasília, liberdade demais causou um trauma.

Durante um ano e meio de namoro (entre 2009 e 2011) com Susana, 17, que morava em Minas Gerais, ele compartilhou senhas de e-mails e de perfis em redes sociais.

"De tanto ler e-mails e conversas de MSN um do outro, nos ocupamos mais em vigiar do que em namorar", conta ele, que, a pedido da então namorada, teve de escolher entre ela e os amigos. "Optei pelos amigos, que me cobravam menos."

DOS EXCESSOS

Situações extremas são um dos riscos que a psicanalista Luciana Saddi, 49, aponta quando se mantem uma relação baseada nesse compartilhamento.

"Ciúme demais pode virar paranoia. A idealização de um relacionamento perfeito, muito comum na adolescência, pode sofrer um choque de realidade quando se depara com algo desagradável como um e-mail mais carinhoso de um colega de escola", alerta Saddi.

Para Anna Paula Mallet, 42, psicóloga da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), conceitos como privacidade e fidelidade vem se modificando.

"Aos poucos, a única privacidade que é mantida para o adolescente é em relação aos seus pais, que geralmente são obsoletos no que se refere aos novos tipos de comunicação", analisa Mallet.

Dentre os casais ouvidos pelo "Folhateen", nenhum deles contou aos pais que divide senhas. O que não faz desse compartilhamento algo proibido ou errado.

"É uma oportunidade de cada casal testar limites e saber com quais consequências pode arcar. E também de amadurecer afetivamente", diz Luciana, que acrescenta: "Crescer é assumir responsabilidades."

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Um comentário:

  1. Pelo andar da carruagem, sim. Estamos cercados de fotos, montagens, infográficos e vídeos. Formatos de mídia que ganham a atenção da maioria em relação aos textos. Mas por que isso está acontecendo?

    Segundo Lindsay Stanford é, principalmente, porque não temos mais tempo. Nos satisfazemos com uma leitura panorâmica do que nos interessa. Não é à toa que redes sociais como Pinterest, Instagram e Tumblr, fazem tanto sucesso.

    até para entrarmos em uma rede social precisamos definir um propósito: conhecer o comportamento e a opinião das outras pessoas, buscar boas referências, fazer pesquisas. Mesmo que seja só bisbilhotar o perfil alheio, precisamos estar conscientes de que é por isso que estamos lá. Vale a reflexão.

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